Overflow: onde, como e para que.

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Overflow: onde, como e para que.

Mensagempor Victor Pax » 04 Mar 2013 12:16

Muitos são os filtros usados na aquariofilia: filtro externos de pendurar, filtros canisters, filtros internos, filtros de areia fluidificada, etc.
Um dos considerados melhores é o chamado sump que nada mais é que um aquário com compartimentos internos, situado internamente ou externamente ao aquário.
Quando externamente ele tanto pode estar ao lado/atrás do aquário quanto abaixo deste.
Na posição lateral ou traseira (assim como internamente) ao aquário, não há qualquer grande problema de fazer chegar a este a água do aquário.
Mas quando situado abaixo existe a necessidade de fazer uma estrutura que leve em segurança a água do aquário até o compartimento de filtragem mecânica (ou ao decantador) do sump.

Maneiras habituais.

Bem, existe a maneira similar à utilizada para ligar um sump lateral ou traseiro ao aquário.
Um furo no vidro com um flange de caixa d´água, mas que deverá ser conectado a canos que levem a água que transborda até o sump.
Esse cano pode estar apenas conectado a flange no vidro ou a uma bota.
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É o meio mais comum e tem (na minha opinião) a desvantagem de desvalorizar o aquário para vendas futuras (pois muitas vezes a pessoa só vai comprar se for para um sump e normalmente tem que se interessar em fazer “venda casada” com o sump desse aquário).
Outra desvantagem é quando o aquário já está montado, pois nas cidades grandes e capitais pode não ser difícil achar um vidraceiro com a habilidade e as ferramentas para fazer o furo... mas fora delas eu mesmo não me arriscaria com a mão de obra pouco experiente e qualificada.
Fora que montado tem as mesmas possibilidades de erro e acidentes (esbarrões/ressecamento ou problemas dos canos/entupimento/desacoplamento/etc) da outra opção.

Outra maneira (e foco desse artigo) é o overflow.

Ele consiste em um cano que diferente do anterior não atravessa o vidro, mas o contorna pela borda.
Assim como a opção anterior o diâmetro do cano deve ser condizente com o volume de água jogada pela bomba interna do sump para o aquário pois será ela que fornecerá o volume de água por hora (vazão) que descerá pelo overflow.
Um cano de ¾ de polegada tem uma vazão por volta de 2.000 litros por hora.
Lembremos que estando o sump abaixo do aquário a vazão da bomba (e do overflow) seguirá a tabela que acompanha a bomba.
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(exemplo de perda de vazão segundo a altura do aquário perante a bomba sarlo better 2000)

Existem vários tipos de overflow.

Tipos de overflow.
Legenda: air hole = respiro, stopped water line = nível máximo de água e to drain = dreno (para o sump).

Comecemos com o mais comum, o de canos simples.

1- Cano simples.

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Ele pode ser de 3 tipos como mostrado na figura acima.

- O reverso (ou “comum”) que é apenas a junção de canos com um respiro para evitar o efeito sifão (que o overflow continue a mandar água para o sump) quando a bomba parar.
- O clássico (não tão clássico aqui no país) onde o cano não entrará no aquário, mas dentro de um outro cano situado/camuflado dentro do aquário.
- O em “W” que é uma variação do reverso para ter a filtragem superficial do “clássico”.

Esses 3 tipos são os mais fáceis de construir.

O funcionamento geral deles é o de que desde a ponta imersa no aquário até o respiro se forme um sifão (ver “Por para funcionar”) e este é o ponto até máximo até onde a água do aquário vai baixar quando a bomba parar (não entra ar dentro do sifão, impedindo sua função, por causa da “barriga” de canos antes do respiro ou “T”).
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Bom, com a bomba em funcionamento o nível da água do aquário sobe e a de dentro do overflow acompanha (pois estão interligados como vasos comunicantes pelo sifão) e então ao ultrapassar o nível do respiro a água “transborda” para o cano que leva os sump.

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Lembremos que no que tange a vazão o aquário, o overflow e o sump são um sistema único, uma única coisa.
Ao ligar a bomba esta jogará a água na vazão condizente com a altura (rever a tabela alturaXvazão no inicio do artigo), água esta que no aquário elevará o nível da água neste e dentro do overflow, iniciando o overflow.

Estando o aquário e o sump no seu nível normal a bomba ao lançar um volume de água fará que esse mesmo e exato volume de água volte pelo overflow ao sump (se a bomba joga 1000l/h só tem essa quantidade de água para descer, se joga 15 litros para o aquário só existe 15 litros no aquário para ir para o overflow).

Se a bomba mandar mais água que o overflow capte o aquário transbordará.
Se o overflow mandar mais água do que a bomba manda (fora o fato óbvio... de onde vem essa água a mais?!?) o overflow parará de funcionar (mas como podem ver descer mais água do que existe no circuito aquário-overflow-sump é uma coisa impossível de acontecer).

Ou seja, uma bomba que manda 1000 l/h para o aquário, este despeja 1000 l/h pelo overflow e deste saem 1000 l/h para o sump, pois é um circuito só, interligado.

Então as partículas na água entram pelo cano dentro do aquário, passam pelo overflow e são lançadas dentro do sump (e retidas na filtragem mecânica deste).

Esse esquema ilustra perfeitamente o tipo “reverso” ou “comum” que pode ser feito apenas com canos e joelhos.

Particularidade do “clássico”.

Bom, no “clássico” o circuito é o mesmo, mas quando a bomba no sump para de funcionar ao invés do nível da água baixar no aquário inteiro (até o nível de água do “T” do respiro no overflow) ele baixará só até a boca do cano onde o overflow esta inserido.
Dentro do cano o nível da água continuará a baixar até nivelar com o nível interno do respiro (o que como já dito retêm ainda a água dentro das primeiras curvas dentro do overflow, preservando o efeito sifão e é o ponto máximo que a água vai descer dentro do sistema).

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Legenda: tank water level = nível da água no aquário, siphon maintain level = nível mentido pelo sifão, seta vermelha = entrada de ar no respiro

A vantagem disso é que ao invés de todo o volume de água do aquário acima da conexão do respiro ir para o sump (e por isso não se deve encher totalmente o sump com a bomba em funcionamento), irá apenas um volume muito menor (nível da água acima do boca do cano interno e parte da água dentro deste cano).
Outra é a facilidade de confecção perto dos outros 2 tipos.
A desvantagem é que faz uma captação de água superficial (ver “Diferenças de filtragem”).

Existe uma variedade desse tipo que pode ser feito não com um cano interno (que pode prejudicar a estética), mas com um cano externo ou uma jarra.
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Nesses pode ser usado o esquema de captação de água na coluna d´água (ver "diferenças de filtragem")

Um esquema interessante pode ser visto neste artigo.
http://www.aquaflux.com.br/forum/viewto ... ow#p109584

Uma dica do grande hobbysta Magro Costa é um “ajuste de nível” para esses oveflows, para deixarmos o nível do aquário exatamente onde desejamos.
Para isso como podem ver na figura seguinte usamos na conexão do cano com a entrada do respiro (“T”, no caso com dois lados de conexão e um de rosca) uma luva cola/rosca e um níple rosca/rosca, assim ao rosquear mais ou menos, ajustamos o nível da água dentro do oveflow e conseqüentemente no aquário.
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Particularidade do “em W”.

Novamente o circuito é o mesmo, só que ao invés de um cano interno a captação de água superficial é feita por um prolongamento do cano de entrada.
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A vantagem deste é um volume ainda menor de água que o “clássico” que vai para o sump (só a quantidade de água acima do nível do bocal do cano do overflow).
A desvantagem é a estética e de só fazer uma filtragem superficial (ver “Diferenças de filtragem”).

Esse tipo também pode ser feito apenas com canos e joelhos.

Vamos agora para o outro tipo de overflow.

2- Oveflow box.

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Esse é uma opção muito interessante, pois esteticamente fica bem mais discreto.
A configuração deste é um compartimento que fica superficialmente dentro do aquário, este fica ligado por um sifão (curva de vidro/mangueira/cano/etc) a outro no mesmo local fora do aquário, externo, este com uma conexão (por exemplo uma flange, no nível mínimo de água desejado para o aquário) que levará o excedente de água dentro deste pote externo para o sump.
Da mesma forma que o “clássico” só a água superficial e dentro do pote serão enviadas ao sump.
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Legenda: tank wall = vidro do aquário, prefilter = pré filtro, to bio-tower= (no caso) para o sump

Ao ligar a bomba um volume de água será jogado dentro do aquário, elevando o nível de água deste. Da mesma forma o nível nos dois potes irá subir e transbordará pelo flange essa mesma e exata vazão de água da bomba, para a mangueira ou cano que leva ao sump.

Novamente por ser um sistema interligado a vazão será exatamente a mesma da fornecida pela bomba.
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A vantagem deste é a estética e o volume mínimo de água enviado para o sump.
As desvantagens seriam a filtragem (ver “Diferenças de filtragem”), o alto valor dos industrializados e a maior dificuldade de construção caseira.


Por para funcionar

Bom como já dito as partes do overflow de canos simples são:
1- Um sifão formado por uma curva (dois “joelhos” e dois canos) que vai até a segunda curva.
2- Uma curva que mantêm a água dentro do cano (mantendo o efeito sifão futuro quando a bomba voltar a funcionar) e um cano que vai até a conexão de respiro
3- Dessa curva à conexão de respiro (normalmente uma conexão em “T” com três conexões, uma que liga o sifão e essas curvas anteriores em uma das pontas ao respiro... outra conexão, por onde o ar entra para “cortar o efeito sifão” quando a bomba para... normalmente um cano destampado mais alto que a borda do aquário......e na terceira e última conexão o cano por onde a água transborda, que leva ao sump).
4- Esse cano onde a água transborda quando a bomba está ligada e o sifão do overflow está jogando água pelo overflow.
(ver figuras de overflows)

Bem, existem algumas técnicas de iniciar o oveflow, darei três.

Primeira:
Encha completamente o cano do overflow.
Tampe as pontas e insira no aquário e no sump
Destampe as pontas.
Parece simples, mas algumas vezes devido ao tamanho não é tão simples mergulhá-lo completamente.

Segunda:
Com o overflow inserido no aquário, tampe o respiro e puxe o ar pela outra ponta do overflow, quando perceber que se iniciou o funcionamento coloque esta ponta no sump e destampe o respiro.
Meio arriscado a tomar um gole ou levar um banho.

Terceira:
Tampar a saída/boca que vai para o sump, deixar a outra ponta já mergulhada no aquário e ir colocando água pelo respiro até ter uma boa quantidade. Então basta (com o respiro ainda fechado) abrir a ponta do overflow que vai para o sump. A água ao vazar puxa o ar de dentro do cano e esse a água do aquário, iniciando o sifão, então quando começar a sair essa água pelo outra do overflow (vai sair primeiro a água que estava no cano, depois o ar que essa água puxou, ENTÃO volta a sair água, esta do aquário) se abre/desobstrui o respiro e o overflow (isso se não tiver algum furo/orifício que "mate" o efeito sifão do cano que está inserido no aquário e no “T”) fica funcionando até desligarmos a bomba.

Às vezes o overflow não funciona de inicio por entrar ar ou reter ar ou ter algum furo/rachadura/vão onde entra ar ao iniciá-lo (lembre-se que segue o esquema de sifão, este "joga" a água no “T”... onde a ponta do respiro está mais alto do que o nível da água do aquário, então não transborda por lá... então a água "cai" no outro lado do “T” indo para o sump. Quando o nível da água do aquário chega no nível do respiro (“T”) para de verter água para o lado do “T” que vai para o sump.. mas o "sifão" não fica sem água, pois não entra ar nele... então quando o nível da água do aquário sobe o nível dentro do overflow sobe e volta a cair água para o sump... se entrar ar em qualquer momento no sifão.... primeiras curvas do overflow... para tudo).
Outras vezes não puxamos ar suficiente para trazer a água do aquário em quantidade para dentro do overflow e assim iniciar o efeito sifão.

As partes do overflow box são basicamente dois recipientes com água, um em cada lado vidro traseiro, ligados por uma conexão (pode ser um canal de vidro ou um cano ou até uma mangueira) que assim como no tipo citado acima, por meio de vasos comunicantes mantêm o mesmo nível em ambos os potes, sifonando a água do pote dentro do aquário para completar a água que “vaza” por um cano no recipiente fora do aquário, diminuindo o nível d´água dentro desse recipiente.

Para iniciar o funcionamento do overflow box (e em alguns casos do “clássico”) basta enchermos os recipientes com água, de forma que ambos os lados do cano/vidro/mangueira estejam dentro da água, depois enfiarmos uma mangueira de aquário dentro do cano do sifão de modo que fique na parte interna com ar e aspiramos para tirar esse ar e puxar a água de ambas as pontas, iniciando o efeito sifão.

Tem esquemas de overflows que tem uma mangueira ou válvula conta fluxo inserido no meio do cano/vidro/mangueira que fará a vez do sifão e é nessa mangueira que puxamos o ar para iniciar o sifão.
Particularmente muitas vezes é justamente nesse respiro com registro que tende a dar problema... quanto menos aberturas menor a possibilidade de "brechas" para o ar entrar e encerrar o efeito sifão.


Diferenças de filtragem.

Como foi mostrado existem dois tipos de captação de água nos overflow (o mesmo para botas).
Uma captação superficial e uma na coluna d´água.

Pessoalmente idealizo o oveflow (e a bota) como componente e utensílio do filtro.
Sendo assim estranho que algo utilizado para captar água para filtragem seja voltado para a captação superficial.

A tão falada “nata” ou “óleo” que pode (ou não) surgir na superfície do aquário nada mais é que um biofilme inofensivo que muito bem pode ser impedido de aparecer ou ser destruído com uma leve movimentação superficial do retorno da água.

Para mim o foco e objetivo de um sistema de captação de água em um aquário é a captação de partículas e outros elementos para passarem não só pelo filtro, mas pela filtragem mecânica, química e biológica e para mim todos esses elementos estão não só na coluna d´água como por precipitação, próximos do substrato.

Para mim em sump uma vazão real de umas 3x o volume do aquário é uma boa estimativa (para mim boa para filtragem mecânica... afinal, por exemplo, uma correnteza de 1000l/h para um aquário de 300l é forte para puxar as partículas/sujeiras e ótima para filtragem biológica que se beneficia dessa vazão).

Lembrando que se a bomba manda 1000l/h só há única e exclusivamente 1000l/h de água para descer pelo overflow, nunca mais, nunca menos.
Por isso calcule bem o diâmetro do cano antes para ver quantos litros passam pelo overflow, pois só podem acontecer duas coisas em um overflow... ou a vazão da bomba é maior que a bitola do cano e transbordará o aquário ou a vazão da bomba não consegue vencer a altura até o aquário e perde vazão, então quanto à bomba e ao overflow não importando o que você faça, uma bomba que manda (por exemplo) 1000l/h no overflow sempre vai ser uma vazão de 1000l/h (afinal só existe essa quantidade de água), não importando o diâmetro maior do overflow ou sua configuração, então calcule bem tanto o diâmetro necessário dos canos (para não transbordar ou usar um muito grande pela estética e valor) quanto a vazão final de sua bomba, pois vai ser ela e exclusivamente ela que vai definir quanto de água existe para descer pelo overflow e assim definir a vazão.

Como já dito canos de ¾ de polegada tem uma vazão aproximada de 2.000l/h, então se a vazão final na altura do seu aquário de sua bomba se aproxima desse valor (acima de 2.000l/h) faça um teste antes para verificar ou já parta para canos de maior diâmetro, se a vazão de final de sua bomba é menor que 2.000l/h pode ser que haja o inconveniente do som do ar sendo puxado com a água para o sump.

Vazão.

Lendo o catálogo ténico da tigre ( http://www.terramolhada.com/produtos/especs/232.pdf ) a vazão máxima de canos fica mais ou menos assim:
1/2" = 0,2l/s = 720 l/h
3/4" = 0,6l/s = 2.160 l/h
1" = 1,2 l/s = 4.320 l/h
1 1/4"= 2,5 l/s = 9.000 l/h
1 1/2"= 4,0l/s = 14.400 l/h
Lembrando que a vazão será exclusivamente a quantidade de água que a bomba joga para o aquário por hora.
Se uma bomba manda 1.000 l/h para um aquário em um overflow de 3/4" só vai descer 1.000 l/h, mas em um de 1/2"(720 l/h) haverá transbordamento.

O som do ralo

Existem reclamações do ruído que a água faz ao ser captada pelo cano do overflow (assim como da bota/furo no vidro).
Esse ruído é o som do ar passando juntamente com a água pelo cano.

Uma maneira fácil de eliminar é colocar um registro no cano que chega ao sump, diminuindo lentamente a passagem de água de forma a eliminar o contato do ar puxado por uma extremidade do cano com o ar da outra ponta.

Outra é manter a ponta que vai para o sump submersa na água deste.

Em overflow box existe uma peça (durso) que se coloca no cano descida dentro do overflow que impede do ar entrar sem interferir com o funcionamento.
Imagem
http://randystacye.com/images/dursostan ... rflow3.gif
http://www.randystacye.com/images/durso ... ptions.gif


Finalizando.

O overflow pode e é uma ótima opção para quem não pode ou não quer furar o vidro do aquário.
Espero que este artigo tenha ajudado a tirar dúvidas e orientar na confecção para iniciantes.
Tiririca na comissão da educação....
Maluf na de reforma política....
Bolsonaro na de direitos humanos....
Tem certeza que 2012 não chegou???
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